Histórico

O Asè Omi Lesi

Cremilda de Jesus dos Santos nascida em 29/11/1935 no bairro Engenho Velho de Brotas, Bahia teve seu primeiro contato com a religião Afro Brasileira ainda criança aos onze anos de idade na mesma época em que sua mãe biológica faleceu e sua madrinha Clarice assumiu sua criação levando-a então para sua casa.  

Mãe Mida costumava contar para os filhos que quando ainda criança brincava de se esconder nas matas junto com outras crianças e quando retornavam para casa estavam cobertas de folhas. Foi nesse ambiente que ela cresceu e começou a participar das sessões de mesa branca e sessões de Caboclo. Já casada e com filhos Mãe Mida em reunião familiar ouve uma divergência calorosa entre seus padrinhos, e não conseguiu chegar até o local da discussão, pois a entidade conhecida como Caboclo Boiadeiro emanou em seu corpo e foi acalmar o casal. Foi a primeira manifestação espiritual na vida dessa sacerdotisa. Mãe Mida começa então a cultuar a entidade realizando sessões de Caboclo Boiadeiro e sessões de Mesa Branca na sala de sua casa.

Foi em busca do conhecimento em dar condições para cumprir sua missão que Mãe Mida foi conhecer Mãe Amália do Ogun no Engenho de Brotas (já falecida), depois conheceu Mãe Domingas do Obaluae em ocasião de uma festa de Santo, quando ocorreu o que o povo diz: bolou para o Santo; que significa a primeira emanação da energia do Orisa sobre uma pessoa. Foi nesta Casa de Asè que nasceu o Orisa Osun na vida de Cremilda de Jesus dos Santos passando a se chamar Omi Lesi. 

Com o passar dos anos, Mãe Mida cuidando de sete filhos, já contando com seus 18 anos de iniciação abre a primeira Roça-de-Santo com o barracão feito de palha de coqueiro e ali iniciou a primeira Ekeji e em seguida um barco com quatro Yawo (iniciado no culto).

Auxiliada pela família de santo começou a construção do barracão de alvenaria. A família de Santo Omi Lesi foi crescendo e com isso o espaço físico foi diminuindo, a solução foi comprar um terreno para ampliar o espaço da Casa de Osun. Foi assim que o Asè de Omi Lesi teve sua transferência de sede onde se encontra até os dias atuais no bairro do Itinga: rua Jardim Taubaté, quadra 07, lote 127, Bahia.

Essa mulher guerreira que teve como pilares do seu Asè as fontes de Efon e Muxikongo e Yoruba mesmo em uma época difícil para todos em plena ditadura militar, obteve forças, sabedoria para administrar o conhecimento recebido de etnias diferentes e ao mesmo tempo tão próximas passando para seus iniciados as tradições, hábitos, costumes e rituais que permitem a preservação da cultura passada de pais para filhos.

Mãe Cremilda falece no ano de 2004 e deixa filhos biológicos e de Santo no Brasil e fora dele, pois levou seu sacerdócio além das fronteiras até o Uruguai e Argentina.

Nesse ano de 2011 sua neta biológica Katia de Osun assumirá a cadeira de Yalorisa do Asè Omi Lesi dando continuidade ao culto da natureza e da ancestralidade, preservando assim a cultura Afro-Brasileira e a transmissão do Asé de Osun.

No dia 28 e 29 de maio será realizado em Salvador/BA o I Seminário Comunidade de Terreiro e Intolerância Religiosa. O evento é realização do Asé Omi Lesi com sede em Salvador em parceira com o Asè Ayra Kiniba com sede em Colombo/PR.

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